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5. Atalanta

O município de Atalanta situa-se na porção centro-leste de Santa Catarina. Apresenta uma área aproximada de 90 km2. Está ligado ao município de Agrolândia pela rodovia SC-426, que leva à BR 470 e, aos demais municípios – Ituporanga, Petrolândia e Agronômica, por estradas municipais.


Cidade de Atalanta - SC

Encontra-se a 200 km da capital do Estado e faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí Açu, tendo como principal rio do município o Dona Luiza. A altitude varia de 480 metros a nordeste, na divisa com o município de Ituporanga, até 900 metros a sudoeste, na Serra do Pitoco.


Serra do Pitoco

Atalanta tem sua história ligada à do município de Ituporanga, do qual era distrito, na época conhecida como Serra do Pitoco por conta da serra que termina abruptamente, existente no município. Sua colonização teve início em 1925 e a elevação à categoria de município deu-se em 1964.

De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE de 1991, Atalanta apresentava uma população de 3.702 habitantes. Já no Censo de 1996 a população total era de 3.658 habitantes, e no ano de 2000 a população passou a ser de 3.429 habitantes. Percebe-se um declínio populacional de 1,19% de 1991 para 1996 e de 7,37% de 1991 para 2000.

Em 1991, 980 habitantes (26,47%) ocupavam a área urbana e 2.722 (73,53%) a área rural. Já em 2000, 1.133 habitantes (33,04%) ocupavam a área urbana e 2.296 (66,96%) a área rural. Através da análise desses dados pode-se perceber que ocorreu migração na área rural.

No diagnóstico sócio-ambiental realizado pela prefeitura, no ano de 2002, Atalanta apresentou uma população total de 3.238 habitantes, sendo 1.210 habitantes (37,37%) ocupantes da área urbana e 2.028 habitantes (62,63%) ocupantes da área rural, confirmando os dados do IBGE que indicam o êxodo rural.

Esse fato reflete diretamente nos aspectos econômicos do município, visto que sua economia é essencialmente agrícola. Dados do Relatório do Seminário Regional Interno sobre a situação da Agricultura no Alto Vale do Itajaí, realizado em 1997, mostram nitidamente que a estrutura fundiária do município de Atalanta caracteriza-se pela presença, em grande maioria, de pequenos e médios proprietários, sendo raros os casos de um único proprietário com um grande número de terrenos para produção agrícola. A grande maioria das propriedades tem entre 10 e 50 hectares.

Esses dados evidenciam a importância de se pensar um planejamento de melhor aproveitamento e uso das propriedades desses agricultores, seja para que haja um incremento de renda para o proprietário, seja para melhorar a qualidade de vida destas pessoas e, futuramente, do município como um todo.

O modelo agrícola foi baseado na cultura e tecnologias que os imigrantes traziam consigo da Europa. Uma das práticas agrícolas mais comuns da época da colonização era a derrubada de mata com posterior queimada ou coivara, que facilitava muito a ­implantação das culturas agrícolas, e, além disso, entendia-se que a cinza resultante tinha a função de adubo.

No início da colonização, as propriedades caracterizavam-se pela diversificação e pela manufatura domésticas, em decorrência das condições de pioneirismo e de isolamento a que estavam submetidos os primeiros habitantes. Esse fato, associado ao pequeno tamanho da propriedade, fazia com que as terras fossem cultivadas até quase a exaustão, para garantir a subsistência da família. Após um período de pousio de alguns anos, as capoeiras resultantes do processo natural de regeneração eram novamente derrubadas e queimadas, para serem cultivadas novamente.

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O extrativismo da madeira, e de algumas espécies para produção de essências (óleo de sassafrás), representou um dos primeiros ciclos econômicos da região, perdurando até a década de 70, quando, por absoluta falta de matéria-prima, a maioria das madeireiras pequenas começou a falir e outras se transferiram para outras regiões ou outros Estados, inclusive da Amazônia. O fim do ciclo da madeira e a exaustão cada vez maior dos solos coincidiram com a chegada da Revolução Verde, que trouxe a mecanização e os insumos químicos (adubos solúveis e venenos) para a agricultura. Os primeiros 10 anos da agricultura moderna resultaram em aumentos significativos de produtividade e, por outro lado, aceleraram ainda mais a degradação dos solos, especialmente através da erosão.

Esse conjunto de problemas fez com que algumas pessoas começassem a perceber que deviam começar a mudar as práticas na agricultura, passando a adotar técnicas de controle de erosão, parar de desmatar e, inclusive, começar a reflorestar. Os primeiros reflorestamentos feitos no município, no início da década de 70, foram com espécies exóticas, principalmente pinus e eucaliptos. A partir de meados da década de 80, com o surgimento da Apremavi, começa-se a discutir o reflorestamento com espécies nativas e também a recuperação das matas ciliares e proteção de nascentes.

Em maio de 1998 o município de Atalanta foi destaque, em âmbito nacional, numa reportagem do programa “Globo Repórter”, como município de índice de desmatamento zero entre os anos de 1990 e 1995. Os dados utilizados pela Rede Globo foram fornecidos pela Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Socioambiental (ISA). Há que se ressaltar que o levantamento que gerou esses dados foi feito a partir de imagens de satélite na escala 1:250.000, a qual não detecta pequenos desmatamentos, tais como aqueles que são feitos para atender as necessidades de lenha para a secagem do fumo.


Atalanta tem sido pioneira na implantação de projetos ambientais, como a recuperação de matas ciliares (ao lado), reciclagem de lixo, turismo ecológico, agricultura orgânica e criação de unidades de conservação, como o Parque Mata Atlântica (pg 28). Atalanta foi elevada à condição de Capital Ecológica de Santa Catarina, através de Lei Estadual de agosto de 2004.

Esses pequenos desmatamentos (aproximadamente 0,5 ha/ano por propriedade onde se cultiva fumo) têm um “efeito formiguinha”, mas devastador sobre as florestas secundárias nas pequenas propriedades. A fumicultura entra nesse contexto como um dos principais protagonistas, visto que a maior procura por parte das empresas fumageiras é pelo fumo do tipo ”Virgínea”. Esse tipo de fumo requer secagem em estufas de alvenaria, dotadas de um forno alimentado com lenha, cuja queima gera o calor necessário à secagem do produto. A maior parte da lenha utilizada nesses fornos ainda é proveniente de florestas secundárias da Mata Atlântica.

Apesar da existência de leis ambientais, em especial as voltadas ao uso e conservação das florestas (Lei nº 4.771 de 15/09/65, Código Florestal e Decreto 750/93 da Mata Atlântica), ainda é prática comum no meio agrícola a não manutenção da reserva legal e a ocupação das áreas de preservação permanente. Esses fatos vêm reforçar a necessidade da implantação de projetos que visem à recuperação e manutenção de áreas de preservação ambiental, que possam resultar na conscientização e mudança de atitude por parte da sociedade como um todo.

Além disso, como o município é caracterizado por pequenas propriedades, muitos proprietários retiraram a faixa de vegetação que cerca os rios para o gado poder beber água, o que explica a grande quantidade de rios e córregos sem proteção. Um estudo realizado na Comunidade de Alto Dona Luiza, em 1997, comprovou que apenas 47% do entorno dos rios possuía mata ciliar.

Um estudo em todo o município também demonstrou que, em 1978, 65% das matas ciliares estavam preservadas, contra apenas 50% no ano de 2.000, ou seja, houve uma redução de 15% em 22 anos de ocupação do solo. Já os reflorestamentos de mata ciliar, iniciados na década de 1980, conseguiram recuperar 5% da área anteriormente destruída. Vale lembrar que a área total do território do município de Atalanta onde deveria haver vegetação ciliar é de 28%.

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