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Integrantes da Apremavi percorrem trilha na Serra do Pitoco

Autor: Miriam Prochnow. Publicado em 04/02/2008.

Vista aérea da Serra do Pitoco

A trilha da Serra do Pitoco é uma das possibilidades para a prática de caminhadas, agregada ao ecoturismo, em Atalanta. No dia 26 de janeiro de 2007, para conferir de perto a beleza da Serra, que é uma das paisagens que se vê logo de cara quando se chega à cidade, um grupo de pessoas ligado à Apremavi resolveu “botar o pé na trilha”.

A serra, na realidade é um importante remanescente florestal com aproximadamente 5.000 ha que fica situada nos municípios de Atalanta, Agrolândia e Petrolândia, no Alto Vale do Itajaí.

Cedinho, Mariluci, Gabriela, Carolina, Jaqueline, Miriam, Uilson, Maicon, Lauro, André e Wigold, escoltados pelo fiel pastor alemão “Juninho”, começaram o caminho que levaria até o topo da serra. Antes da subida, porém, passaram pelos módulos experimentais do projeto de enriquecimento de florestas secundárias da Apremavi e também por um recente plantio de árvores nativas feito, na propriedade de Ângelo Sardá.

Durante a caminhada, que durou seis horas, uma das perguntas mais freqüentes foi: de onde veio o nome Pitoco?

Existem controvérsias sobre a origem do nome, uns dizem que assim se chama porque na verdade parece ser o final da Serra Geral, ou seja, o “pitoco” dessa serra. A outra versão é bem mais popular, pois contam os mais antigos da região que o nome vem de um cachorro de nome “Pitoco” que se perdeu por aquelas bandas e nunca mais foi achado, ficando o local conhecido como, a “Serra do Pitoco”.

Mas o que importa é que, “pitoca” ou não, a serra continua lá, como um símbolo de resistência do passado e esperança no futuro. Um passado que não foi nada favorável, porque ela teve que sobreviver ao agressivo processo de exploração pelo qual passou toda a Mata Atlântica.

O extrativismo da madeira, e de algumas espécies para produção de essências (óleo de sassafrás), representou um dos primeiros ciclos econômicos da região, perdurando até a década de 70. Nos anos 80 a Apremavi realizou vistorias e denúncias sobre desmatamentos ilegais, em especial de araucárias e outras madeiras nobres. Mesmo assim, a exploração madeireira na Serra do Pitoco perdura até os dias de hoje. Infelizmente, durante a caminhada, o grupo se deparou com um crime ambiental: a derrubada recente de cinco araucárias. Um trabalho formiguinha escondido no meio da mata.

Mas por que então a Serra do Pitoco é também um símbolo de esperança? É simples. Porque abrigados nos seus remanescentes, em especial em suas encostas, estão exemplares únicos de espécies de árvores nobres da Mata Atlântica, que sobreviveram porque ninguém conseguiu chegar até lá com o machado e a motosserra. Essas árvores são também o refúgio para espécies de animais ameaçados, como o macaco bugio (Allouata fusca), cujo barulho se pode escutar de longe e também de macacos-prego, como os que foram avistados por alguns integrantes do grupo durante a caminhada. Além desses, nessas matas se escondem quatis, cotias, serelepes e outros.

Outra coisa que impressiona, é a quantidade e diversidade de aves. Por todo o caminho havia uma sinfonia em andamento. E para os que se atém a detalhes, é muito grande o número de diferentes fungos que podem ser avistados.

Enfim, como disseram os estudantes de biologia, Carolina e André: “o lugar é de uma beleza extraordinária e de fundamental importância ambiental, que merece estudos futuros para fins conservacionistas”.

Informações sobre o acesso à trilha podem ser obtidas no viveiro Jardim das Florestas com Edinho ou Edegold: (47) 35350119. (Informação adendada em 06.02.08, após solicitacão via comentário).

Fotos de Miriam Prochnow, Wigold Schäffer e Gabriela Schäffer

Comentários

Edinho Pedro Schäffer em 05/02/2008 às 14h49
A trilha Serra do Pitoco...A trilha Serra do Pitoco... é muito legal, Eu já fiz..... Apesar de a caminhada ser longa, você tem o contato direto com a Mata Atlântica, com sua rica fauna e flora. Assim que der um tempinho na agenda de cada um que ler esse comentário, aproveite e faça uma caminhada. Ainda mais agora depois do carnaval nada melhor do que “fugir” um pouco do barulho, e curtir o que a Mata Atlântica tem a oferecer.. Ate mais..

Edilaine Dick em 06/02/2008 às 10h31
No dia seguinte (27 de janeiro) também tive a oportunidade de percorrer a trilha com um grupo de amigos. Tem um ditado popular que diz o seguinte "ninguém deve passar por essa vida sem escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho", eu incluiria nesse ditado uma subida na serra do pitoco... é uma caminhada longa mas que traz recompensas como: imagens maravilhosas, contato com a natureza e ar puro.

Silvia Franz Marcuzzo em 06/02/2008 às 12h09
Quero muito voltar à Atalanta para fazer a trilha da Serra do Pitoco.
A propósito, tem algum rio, cachoeira para tomar um banho no caminho?
Como deve proceder aqueles que querem conhecer a Serra do Pitoco? É só perguntar para no Viveiro da Apremavi?


Adelino Neto em 15/02/2008 às 17h23
Muito legal! Tem uns feriados próximos, já mais frio, excelente para programar novas turmas. Tão logo dê quero conhecer.

Carine Klauberg em 17/02/2008 às 21h50
Realmente é um remanescente de floresta muito rico em fauna e flora!!!!! E merece todo esforço para ser conservado e preservado!! ... Fico contente em estar tendo tendo o privilégio, com de mais amigos, em realizar um levantamento florístico e fitossociológico do local!!!

Angelo Sardá em 26/02/2008 às 19h43
Quero expressar minha gratidao por este pedacinho de terra ser tao valioso do ponto de vista ecológico ao Herr Westerhoff (que foi proprietário das terras por várias décadas até 2007) e a Apremavi. Como atual propietário (até o ponto que seja possível "possuir" terras), estou consciente de minha responsabilidade aos verdadeiros "donos" desta terra, como, por exemplo, os macacos que lá vivem. Todos que queiram passear por lá sejam muito vindos e, por favor, ajudem-me a fazer que os "donos" do local continuem sentindo-se em casa!

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