Matéria do site O Eco
Romeu de Bruns*
25.07.2008
O
plantio de espécies exóticas como pinus e eucalipto pode conviver
pacificamente com a preservação da mata nativa. É o que a Klabin quer
demonstrar com seu
programa Matas Legais, uma parceria com a Associação
de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) que nos últimos
três anos tem dado bons resultados em Santa Catarina e que agora chega
ao Paraná, nos municípios de Curiúva, Sapopema e São Gerônimo da Serra,
na região central do estado.
Área demarcada para plantio de nativas, aumentando o fragamento florestal nativo
A iniciativa é voltada aos fomentados, que são proprietários
rurais incentivados a plantar pinus e eucalipto em áreas ociosas e
marginais de suas terras, como forma de complementar a renda com a
venda de madeira para a Klabin. O plantio de eucalipto rende safras a
cada seis ou sete anos, dependendo do solo. Já o pinus tem ciclos
diferenciados: 13 ou 14 anos se for um corte só, ou de 20 anos, com
cortes aos 8 e 14 anos, para tirar madeira para celulose ou
laminadoras. O objetivo do Matas Legais é fazer com as propriedades
dedicadas a esse cultivo produzam respeitando a legislação ambiental.
Um dos principais focos está na recomposição das matas
ciliares, que precisam ter pelo menos 50 metros de largura no entorno
das nascentes e 30 metros de largura ao longo dos cursos dos rios.
Lírio Leite, 47 anos, de Agrolândia (SC), é um dos produtores que
aderiu ao projeto. Está fazendo a recuperação da mata ciliar nas três
propriedades que recebeu como herança da família. “Nasci no campo. Meus
pais já utilizam a terra sem limites. Desmatavam até a beira do rio
para fazer pastagem e lavoura. Hoje, isso mudou”, afirma o agricultor,
que cultiva arroz e dedica parte do terreno para o eucalipto, de olho
na aposentadoria.
Além das mudas doadas pela Klabin, o agricultor recebeu
assistência técnica da Apremavi, que elaborou o projeto de
reflorestamento e paisagismo. “A mata é legal não só porque está na
lei. É 'legal' entrar numa mata bem conservada e protegida”, completa
Leite, que é um dos 238 integrantes do Matas Legais em Santa Catarina.
Juntos, eles receberam da Klabin 258 mil mudas de plantas nativas o que
permitiu a recomposição de 80 hectares de matas entre 2005 e 2007. Vale
destacar que, no primeiro ano, apenas 11 famílias faziam parte da
empreitada.
Ilhas de vegetação
Distribuição de mudas nativas
O
programa de fomento da Klabin já existe há 20 anos e hoje reúne 14 mil
proprietários rurais do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. “A idéia é
que a partir de agora todos os proprietários que entrarem no fomento
também façam a adesão ao Matas Legais e que, aos poucos, possamos
trazer também os fomentados mais antigos”, explica Ivone Fier,
coordenadora de pesquisa florestal da Klabin no Paraná.
Segundo ela, hoje, grande parte dos proprietários rurais não conhecem a
legislação que diz respeito às áreas de preservação permanente e à
reserva legal. Isso é fácil de comprovar em uma viagem aérea sobre o
Paraná, onde começa a nova fase do projeto. À exceção de ilhotas de
vegetação em meio a extensos campos de lavoura, só sobraram no estado a
cobertura original da Serra do Mar, no Leste, e do Parque Nacional do
Iguaçu, no Oeste. Se a legislação fosse respeitada, esses dois biomas
poderiam estar conectados pela mata ciliar do Rio Iguaçu, que atravessa
o estado.
A empresa não tem uma estimativa de quantos hectares de mata nativa
devem ser recuperados com o projeto, mas está animada com as
perspectivas. Hoje, os pedidos de mudas somam 15 mil. “Os que aderiram
à iniciativa estão animados pois percebem os benefícios de um novo
conceito de reflorestamento. Não só o plantio de variedades nativas que
conta, mas há uma preocupação com o aspecto paisagístico e com a
interligação dos fragmentos de floresta”, afirma Edegold Schäffer,
presidente da Apremavi.
O programa também inclui a distribuição de livros, cartilhas e
jogos, que servem como ferramentas de educação ambiental e que destacam
a importância da conservação das florestas e dos recursos hídricos.
“Nem sempre é fácil argumentar com o agricultor, que sabe que a beira
do rio tem um solo muito fértil. Ter água limpa e a natureza preservada
são vantagens que muitas vezes ele tem dificuldade de valorar. Mas
depois de três anos, as pessoas começam a ver os resultados alcançados
pelos que fazem parte do Matas Legais”, completa Leandro da Rosa
Casanova, da Apremavi, que é coordenador geral do projeto nos dois estados.
* Romeu de Bruns é jornalista free-lancer no Paraná.
Comentários
joel da Luz em 28/07/2008 às 17h37
Esta iniciativa é muito boa ,pois alem de preservar p meio ambiente, ainda podem ter uma renda extra com a exploração das madeiras exoticas muito ótima a iniciativa. Joel
Jonas José Santos em 28/07/2008 às 20h58
Este projeto poderia prever a formação de corredores ecológicos entre os integrados vizinhos. Também esta iniciativa deveria ser divulgada nas escolas, principalmente nas regiões onde se faz a integração, para combater as calúnias que órgãos da imprensa divulgam sobre as ditas "monoculturas".
Geraldo Boêger Eller em 29/07/2008 às 09h29
Com certeza esta é uma ótima idéia. Uma ação concreta que poderá recuperar o meio ambiente de uma região que sofreu grandes impactos ambientais negativos. Representa o bom uso do solo e a obtenção de qualidade de vida e de renda. É preciso porém ter alguns cuidados para evitar a dispersão do pinus e eucaliptus nas áreas de APP. Assim também cada proprietário faz a sua obrigação e reduz a justificativa para gastar dinheiro em "pseudos educação ambiental", que geralmente não passa de blá, blá, blá, de "escolas" que querem ganhar dinheiro fácil... É preciso ter a teoria aliada a fatos concretos... Parabéns !
Vinícius Camargo do Vale em 27/08/2008 às 20h21
acho esse projeto muito bom porque dá para o mundo respirar muito melhor e se o mundo ficasse sabendo disso acho que com certeza implantariam esse projetoem tudo que é lugar boa sorte
E aí galera do IDEAL aqui é o Vale e aí Paulinho le isso