Artigo de Wigold Schäffer, publicado no livro "No Jardim das Florestas", 2007.
Para escrever sobre como iniciou o viveiro, é necessário voltar um pouco no tempo, relembrar algumas histórias, pessoas e fatos. A começar por mim mesmo, nasci em 1959 na Serra do Pitoco, hoje município de Atalanta-SC, numa época em que a luz elétrica e a televisão ainda não haviam chegado naqueles cantos do mundo. A primeira vez que assisti a um programa de televisão foi na Copa do Mundo de 1970, num dos únicos dois aparelhos de TV que havia no município. O sinal da televisão era fraco e víamos mais chuvisco que imagens, ainda em preto e branco, mas o Brasil foi Tri Campeão do Mundo e nós ficamos maravilhados com o futebol e com a TV, que chegaria na casa do meu pai, já a cores, juntamente com a luz elétrica, somente em 1977. Mais tarde também aprenderia que a geração de eletricidade tem lá seus problemas ambientais, mas isso já é uma outra história ...
Em 1964, aos cinco anos, plantei minhas primeiras sementes de araucária. Naquele tempo, a cada ano, os colonos da região desmatavam em média de um a dois hectares para fazer roças de coivara. Assim era chamada a roça feita em área de floresta virgem recém desmatada. Meus pais também estavam fazendo as últimas roças de coivara no terreno deles. Eram as últimas roças, porque os terrenos comprados, em plena mata virgem, no final da década de 1930, tinham em média 25 hectares e as matas estavam chegando ao fim. No terreno do meu pai havia em 1970 apenas três hectares de mata virgem, área que nunca foi cortada porque protegia duas nascentes d’água.
Minha mãe conta que eu ficava muito impressionado com as derrubadas e perguntava com insistência porque eles faziam isso. Eu também reclamava que se eles continuassem derrubando matas desse jeito, quando eu crescesse não haveria mais árvores para meus filhos e netos. Diante de minhas reclamações meu pai resolveu me dar umas sementes de araucária e me ensinou a plantá-las. Eu as plantei com uma enxadinha ao longo de uma cerca, uma ao lado de cada palanque, ao todo umas 100 sementes. Lembro que muitas das sementes germinaram e eu acompanhei, ano a ano, o crescimento dos pinheirinhos. Vários deles viraram árvores de natal ao longo do tempo. Outros, 30 anos mais tarde, foram cortados e a madeira serviu para construir o galpão do atual viveiro da Apremavi. Hoje ainda existem uns 15 pinheiros daqueles, já bem grandes, produzindo sementes...
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